A quantidade de carros nas ruas da cidade de São Paulo tem aumentado consideravelmente nos últimos anos, e hoje, ao perceber a insatisfação e a dificuldade do paulistano para cumprir horários de suas atividades rotineiras, tais como trabalho, escola ou lazer, e o stress causado em decorrência desta situação, a prefeitura começou a se mobilizar a fim de melhorar a situação do tráfego na cidade.
E os transportes públicos? Estes não foram esquecidos pela população que utiliza automóveis particulares. Acontece que, muitas vezes, ao se deparar com ônibus, lotações e trens da CPTM e Metrô, totalmente lotados nos horários de pico, as pessoas estão se assustando e preferindo recorrer ao seu automóvel, para buscar o mínimo de conforto, e termina por não o encontrar por conta de vários outros indivíduos que tiveram a mesma idéia.
Por este e outros motivos que pessoas que não quiseram esperar pela iniciativa das autoridades paulistanas, como o Assistente Administrativo Sebastião Queiroz da Cunha, percebendo a lentidão nas ruas, a precariedade nos transportes públicos e a falta de tempo para a prática de esportes, resolveram optar pelo uso da bicicleta para se locomover diariamente para o trabalho, e aos finais de semana e feriados, para outras atividades, que outrora exigiam a utilização do carro de passeio ou motocicleta.
Sebastião utiliza a bicicleta para trabalhar desde 20 de março de 2007, pedalando em média 9,70 quilômetros por dia e faz um controle diário de sua economia com combustível e tarifas de transportes coletivos, por exemplo, entre 20 de março de 2007 a 14 de setembro do mesmo ano, economizou R$519,80.
E quanto aos perigos que podem ser enfrentados em uma grande rodovia? Nosso entrevistado confessa que nos primeiros dias em que resolveu ir trabalhar de bicicleta, sua família teve algum receio quanto a “concorrência” com outros transportes na rua porém, logo foi esclarecido que o trajeto residência –trabalho não oferecia riscos. Como isto é possível? Simples. Com a versatilidade da bike somada ao bom senso, Sebastião consegue encontrar caminhos alternativos em ruas de menor movimento para possibilitar sua chegada – são e salvo – ao seu destinho.
Apesar de ainda não haver uma regra específica para ciclistas, a não ser a proibição de circulação em alguns lugares, Sebastião estabeleceu suas próprias regras: respeita os pedestres como se estivesse em um automóvel ou motocicleta, se mantém sempre à direita e quando há grande fluxo de automóveis na rua, impossibilitando sua locomoção segura, utiliza a calçada com o mínimo de velocidade e o máximo cuidado com os pedestres, se há muitos pedestres na calçada ou quando a calçada é muito estreita, segue a pé, com a bicicleta ao lado.
Para que não ocorram imprevistos, Sebastião carrega sempre consigo alguns itens para reparos rápidos em caso de falhas em sua bike, o que batizou como “kit de primeiros socorros”, e uma vez por semana realiza a limpeza e lubrificação de seu transporte para que sempre permaneça como novo.
Uma história meio mal contada
Há 15 anos
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